A moda em novos formatos



O mercado da moda anda em uma revolução sem tamanhos.
Aliás, o mundo anda em revolução… uma nova era, novas tecnologias, novos estilos de vida, novos consumidores, tudo isso exige uma reformulação nos padrões existentes e, claro, a moda também entra neste processo.
Desfiles de moda e campanhas publicitárias não são suficientes mais para garantir vendas para as marcas de moda.
Estilistas estão tendo que se reiventar e o modelo de criação comercial começa a perdendo o sentido.
Enfim, a moda está com seus radares ligados em busca de novas alternativas, de inovações e de novos formatos de negócios.
E as mudanças já começaram a pipocar e prometem mesmo mudar os rumos do mercado.
Iniciativas muito interessantes, criativas e que solucionam problemas de mercado estão surgindo todos os dias.
Há alguns dias foi divulgado o lançamento de uma rede social voltada para moda, que mais do que linkar pessoas, promete um novo formato de negócio de moda, que apesar de parecer um pouco complicado é muito interessante e promissor.
O Fashion Stake será uma rede de contatos, lançada por dois estudantes de administração de Harvard em que, resumidamente, estilistas divulguam seus trabalhos e recebem investimentos dos próprios consumidores para criarem suas coleções e estes consumidores/investidores recebem sua “cota de patrocínio” revertida em vale compras no site. Incrivel, não?!
Mas esta ideia já vem de algum tempo como o projeto Catwalk Genius, criado por uma empresa privada com sede na Irlanda ainda em 2007. A lógica é parecida, porém os designers precisam conseguir investimentos de cerca de 5.000 colaboradores, que só podem contribuir com 11 dólares cada. É a chamada estratégia de crowdfunding (que tradução literal seria um financiamento pelas multidões) e o mais bacana é que após o designer conseguir o investimento de 55 mil libras (11 libras de 5 mil pessoas) ele tem 6 meses para desenvolver uma coleção de 4 a 7 peças e os lucros referentes a venda da coleção é dividido entre o designer e os consumidores/investidores.
A ideia também parece um pouco complicada e difícil de ser implementada nos trópicos, mas é um projeto bastante inovador e que traz um novo formato de negócios que linka consumidor e estilista em um processo de colaboração mútua.
Outra ideia excelente que não é ligada exclusivamente a moda, mas poderia ser (#ficaadica) e que já foi traduzida em uma versão brasileira é o modelo de tryvertising que nada mais é que um Clube de Amostra Grátis. As empresas interessadas em testar seus produtos antes de colocar no mercado, distribuem para esta loja, que forma uma espécie de clube. Os associados recebem produtos dos mais diversos estilos, de eletrônicos a roupas, completamente de graça e possibilita as empresas produtoras ter um feedback dos seus produtos antes mesmo de comercializá-los. Uma ideia ótima, que já existe na China, Japão, Espanha e EUA.
A Revista Vogue Inglesa em parceria com o Conselho de Moda Britânico também tem feito um trabalho bem bacana incentivando novos talentos com o projeto Vogue Fashion Fund que premia em dinheiro e serviços de consultoria estratégica os novos estilistas que participam do prêmio enviando seus trabalhos e planos de negócios e são selecionados através da análise do trabalho mais promissor e bem estruturado, o ganhador da primeira edição do prêmio foi o estilista inglês Erdem Moralioglu.
Enfim, ideias, projetos e inciativas criativas e inovadoras estão transformando o mercado e os modelos de negócios vigentes na moda até agora.
É um momento de transição, de novas ideias, de frescos, de ousadia…
Viva a esta nova era da moda!

julianalaguna 2 Comentários

Moda é cultura

Em semana de Donna Fashion Iguatemi, acho que é necessário iniciar uma discussão sobre a moda inteligente neste país ou a falta de…
“A questão da moda não faz furor no mundo intelectual. (…) A moda é celebrada no museu, é relegada à antecâmara das preocupações intelectuais reais, está por toda parte na rua, na indústria e na mídia, e quase não aparece no questionamento teórico das cabeças pensantes. (…) É preciso redinamizar, inquietar novamente a investigação da moda, objeto fútil, fugidio, contraditório por excelência, certamente, mas que, por isso mesmo, deveria estimular ainda mais a razão teórica”.
Isso foi escrito pelo filósofo Gilles Lipovestsky em 1989!
Sim, mais de 20 anos e a crítica é a mesma… falta de pensamento crítico sobre a moda!
Mas este post não é de reclamação, e sim, de motivação! Acredito que o mercado da moda tem amadurecido muito e está caminhando cada vez mais para transformar a moda um assunto sério que deve sim estar nas “cabeças pensantes”…
O assunto é do mês passado, mas achei que teve pouca repercussão e um assunto tão importante desses merece destaque!
Um manifesto chamado “A Cultura está na Moda e a Moda está na Cultura” é um dos exemplos de movimentos para tornar a moda um assunto sério. O projeto que tem o objetivo de incluir a moda nos processos de elaboração da política cultural brasileira, teve em março um encontro para discussão e elaboração de propostas para que a moda seja tratada como arte e parte da cultura brasileira e, claro, conseguir com que a moda garanta uma fatia dos recursos da cultura para investimento em projetos do setor.
Foi feita uma conferência pré-setorial com participação de poucas pessoas, pois vários estados não enviaram seus representantes para discutir o assunto, toda a região sul do país, por exemplo, só teve 1 representante!!!! Mas as pessoas que participaram criaram uma discussão importante e relevante para o mercado, achei ótima a opinião de Afonso Luz ( Dir. de estudos e monitoramento de políticas culturais) que disse que a moda é uma das artes que mais tem a capacidade de identificar visualmente o Brasill: “São essas manifestações que criam a cultura no ambiente urbano”.
Ronaldo Fraga, um dos estilistas que melhor representa a cultura brasileira com suas coleções em que a roupa é apenas o plano de fundo para uma contexto cultural muito maior, disse que a discussão dessa primeira reunião é sobre “a possibilidade da moda ser considerada cultura neste país”. Ronaldo levantou ainda o ponto de que não existe incentivo registro da história da moda no país e muito menos para a capacitação de pessoal. O próprio estilista teve um projeto de um livro e exposição sobre o Rio São Francisco (tema de sua coleção de verão 2009) negado três vezes nas leis de incentivo cultural.
O encontro serviu para iniciar uma discussão longa e super produtiva de incluir a moda na pauta da cultura brasileira e ficou marcada para este mês um segunda conferência para amadurecer as discussões. Ronaldo Fraga salientou “Esperamos a adesão de mais estilistas a este processo, porque apenas 10% do setor produtivo foi à capital federal para o encontro. A turma escaldada com promessas precisa entender que não vamos pedir dinheiro para o desfile do Zé das Couves com uma gostosona na passarela”.
Na minha opinião um mercado que representa o 4° maior do PIB do país deveria ter um Ministério do setor como países como Índia com seu Ministério Têxtil, mas acho que tudo deve começar aos poucos e incluir a moda na política cultural já é um início produtivo. Tomara que a discussão tome proporções maiores e que a moda seja logo legitimada como parte da cultura brasileira.

julianalaguna 3 Comentários

Moda & Internet

Tendências mundiais de consumo apontam para uma era de mudanças, para um mundo conectado e colaborativo, tendo a internet como ponto de contato.
A moda que baseia sua atuação em tendências de comportamento, está sofrendo para saber se adaptar a esta nova realidade.
A internet que era um bicho papão, hoje faz parte da vida de todo mundo. Mas as empresas, ainda receosas sobre como utilizar esta tão poderosa ferramenta, acabam apenas imitando estratégias de sucesso, sem saber ainda adaptar a ferramenta e a linguagem ao conceito e posicionamento da marca.
Michael Porter em entrevista para a Revista Época Negócios relatou sua percepção sobre o uso da internet e disse que as empresas não estão sabendo dar melhores usos e práticas a ferramenta e que está inclusive escrevendo um artigo sobre a evolução da internet e a necessidade das empresas evitarem a padronização.
Uma pesquisa feita pela agência F/Nazca e pelo Datafolha relatou que 49% dos brasileiros levam em conta as opiniões que encontram em sites e comunidades antes de tomar uma decisão de compra e 69% dizem compartilhar informações sobre produtos e serviços com outros internautas.
Ou seja, a internet se tornou uma poderosa ferramenta de pesquisa, de divulgação e de relacionamento com os consumidores. Mas será que as marcas estão sabendo utilizar a web para estes fins????
As marcas de moda já estão ligadas na internet, mas ainda de uma forma um pouco tímida e as vezes apenas repetindo ações eficazes de outras marcas.

Claro que existem cases bacanas como a Farm que sabe utilizar a linguagem da marca para se relacionar com seus consumidores e claro, divulgar a marca de uma forma interessante. A primeira marca brasileira de moda a criar um aplicativo para i-phone, dona de um blog com mais de 15mil acessos diários e muito conteúdo (não só da marca, mas de todas as questões que cercam o universo da Farm) e com mais de 8mil seguidores no twitter, a marca sabe usar as redes sociais e a web em geral como ferramenta de comunicação, relacionamento e interatividade com seus consumidores.
Aplicativos de i-phone são as inovações preferidas das marcas de moda, que apostam em ferramentas que interagem com o consumidor, trazem informações, curiosidades, além de fazer com que o consumidor leve a marca sempre ao seu lado… Revistas como Interview, Pop e Vogue apostam nos app como forma de aumentar a venda de suas publicações e marcas de Chanel, Marc Jacobs, Nike a Miss Sixty lançam seus aplicativos na rede como ferramenta de comunicação e relacionamento com o consumidor.
Grandes marcas de luxo mundiais apostam na internet como forma de se aproximar dos consumidores. Só nesta semana lançamentos sacudiram o universo fashion como as lojas virtuais de Quail e Cartier e blogs que prometem conteúdo de primeira como de Cavalli e Thierry Mugler.
Uma pesquisa feita pela Burson-Marsteller observou como as 100 maiores empresas do mundo, segundo a Revista Fortune, utilizam as mídias sociais. A pesquisa relatou que 79% das empresa utilizam pelo menos uma plataforma de mídia social. Entre as mais utilizadas está o twitter com 65%, o Facebook com 54%, o Youtube com 50% e blog corporativos com 33%.
Apesar da forte presença na web, as ações e estratégias das marcas de moda ainda são fracas e tímidas, resumindo sua atuação e conteúdo on line a lookbook, posts de lançamento de coleção e ações com blogueiras ou promoções fracas. E claro, a maioria apenas repete ações de sucesso de uma minoria inovadora!
Mas acredito que a utilização da internet pelas marcas de moda está caminhando para um processo de sucesso! Algumas marcas excelentes estão inovando e trazendo informação e conteúdo de interesse de seu público consumidor e refletindo a imagem da marca em ações interativas e colaborativas, inserindo o próprio consumidor no processo criativo da marca.

Lookbooks on line e colaborativos, por exemplo, firam febre na web. Inspirando-se no universo do street style, as marcas querem saber como os consumidores estão dando outros olhares para suas criações e faz com que os próprios consumidores sejam os modelos da marca. Uma das primeiras marcas a lançar esta ação foi a American Apparel em parceria com a LookBook.nu e hoje até marcas como Imaginarium (que não sou exatamente do mercado de moda) utilizam esta ferramenta como forma de inserir o consumidor no processo criativo.

A Converse é outro exemplo bacana, que lançou uma série de mini documetários na internet com pessoas ligadas a moda, arte e cultura que expressam muito bem a imagem da marca e seu posicionamento do mercado. São vídeos com entrevistas sobre uma nova geração que quer fazer a diferença, tem atitude e se expressa através das artes, muito Converse né?!
Enfim, ideias boas estão surgindo e o conceito de colaboratividade, interação e participação começa a fazer parte da comunicação das marcas de moda.
Ainda falta um pouco de inovação, de sair do comum e não usar fórmulas prontas, mas eu acredito nessa nova era da comunicação, em que a publicidade persuasiva perde cada vez mais seu espaço para ações interativas e de relacionamento com o consumidor. Esta realidade está cada vez mais próxima e as marcas de moda estão percebendo este novo momento… só falta arriscar as antigas verbas de publicidade em ações inovadoras, colaborativas e que tenham a internet como principal plataforma de contato com seus consumidores.

julianalaguna 1 Comentário

Moda 2.0



Ultimamente muito tem se falado sobre o novo comportamento das marcas de luxo, que se renderam a internet e as redes sociais como forma de se comunicar e se relacionar com seus consumidores.
Apesar do luxo estar muito ligado a experiência, o consumo de produtos de luxo on line tem ganhado espaço pela conveniência que a internet oferece.
Além disso, depois da crise que abalou muitas das marcas do mercado de luxo, a alternativa mais imediata e barata que as marcas estão tomando é utilizar as redes sociais como forma de se conectar com seus consumidores, ouvir suas sugestões e criar um relacionamento mais forte com seus clientes.
Mas apenas utilizar a internet para se relacionar com o consumidor não é mais garantia de sucesso!
A internet e, principalmente, as redes sociais deixaram de ser um espaço de conexão para ser um espaço de disseminação de conteúdo.
Por isso, as marcas precisam mais do que nunca produzir conteúdo para atrair a atenção de seus consumidores.
E aí entra um post que li recentemente sobre a Chanel no The Business of Fashion.
A Chanel é uma marca de luxo que sabe mais do que ninguém como se reiventar sem perder sua essência. Karl Lagerfeld, o gênio por trás da Maison, é um dos mais competentes criadores de conteúdo da atualidade. Mais do que vender suas criações, Lagerfeld tenta criar vínculos com seus consumidores, aliás, criar mais do que consumidores, mas fãs de verdade da marca.
A criação de conteúdo permeia toda a estratégia da Chanel, que produz conteúdo interessante, original, ligado a essência da marca e com o propósito de inspirar, motivar e criar desejo em seus consumidores.
Com o enfraquecimento das revistas impressas e da publicidade em geral, e o aumento cada vez maior do poder da internet, as marcas de moda estão tendo que se adaptar a nova realidade e criar novas formas de comunicação e relacionamento com seus consumidores.
E a Chanel é um ótimo exemplo de marca de moda que está sabendo se adaptar as mudanças e aos novos consumidores, criando e produzindo conteúdo original e de valor e atraindo a atenção de seus fãs, tornando-os disseminadores da imagem da marca pela internet a fora.
Vídeos, blog, revista impressa e revista on line são apenas algumas das criações da Chanel com conteúdo inspirador que estão sendo produzidos e espalhados pela internet todos os dias.
E o mais interessante de tudo isso é que qualquer marca, independente do tamanho e da lucratividade, tem os mesmos recursos que a Chanel para produzir conteúdo original e interessante para atrair a atenção dos seus consumidores, basta criatividade e inteligência estratégica.
Bem-vindos a nova realidade de mercado, do neoconsumidor, da internet, das redes sociais, da Moda 2.0…

julianalaguna 1 Comentário

Crowdsourcing

Segundo o Wikipedia, “crowdsourcing é um modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela internet para resolver problemas, criar conteúdo ou desenvolver novas tecnologias”.
Sites de pesquisa de tendências como TrendHunter, Trendwatching e PSFK apontaram o crowdsourcing como umas das grandes tendências para 2010 e acertaram em cheio. O ano mal começou e todos os dias surgem exemplos de marcas e empresas que estão utilizando da colaboratividade do consumidor e da facilidade da internet para resolver problemas, desenvolver produtos ou apenas envolver o consumidor no processo da marca, criando assim relacionamentos duradouros.
A colaboratividade e a mobilização cooperativa faz parte do comportamento do novo consumidor, dessa geração que foi criada com a internet, as redes sociais e a cultura da interatividade. Por isso, as empresas precisaram se adaptar a este novo consumidor e fazer com que ele possa participar e dar sua opinião na criação de produtos que serão vendidos para ele mais tarde.
A Cadbury, fábrica de doces, criou um site para que os consumidores possam enviar sugestões e ideias sobre as novas invenções da fábrica.
A Lego, que não para de se reiventar, criou um site chamado Click para que designers, artistas e pessoas criativas em geral possam enviar suas ideias envolvendo o famoso brinquedo.
Outras empresas como Starbucks e Dell já fazem isso há algum tempo, sites abertos para envio de ideias e possibilidade dos próprios consumidores votarem nas melhores ideias
E a FIAT criou um desafio de fazer o primeiro carro do mundo criado com a colaboração dos consumidores, o Fiat Mio será criado a partir das sugestões enviadas pelas pessoas.
Enfim, novos exemplos surgem a cada dia e o fato é que daqui a muito pouco tempo, as marcas e empresas serão obrigadas a criarem um espaço para que o consumidor possa participar e colaborar com suas próprias ideias ou não terão mais a atenção deste novo consumidor, que está aí, aberto a ajudar, a dar respostas sobre o que estão querendo vestir, comer, onde querem ir, o que querem comprar…
Empresas, marcas e profissionais do Mercado de Moda o que vocês estão esperando???

julianalaguna 1 Comentário

Quando a moda vira diversão!



No livro Consumo Autoral que já comentei aqui, o autor fala sobre o Design Thinking citando um dos primeiros estudos sobre a Economia da Felicidade feita por Tibor Scitovsky (ótimo nome para um segundo cachorro, já que o meu se chama Lipovestsky) escrito em 1976 no ensaio The Joyless Economy.
O autor afirma neste estudo que nós precisamos consumir bens de “conforto” e bens de “criatividade”. Ele explica, que os bens de criatividade são “relacionais, culturais, estimulantes e que exigem um número maior de experimentações e energia pessoal para serem apreciados.”
Algum tempo depois do ensaio de Scitovsky, vemos que a Economia da Felicidade está aí, e que hoje o consumo de bens de criatividade se torna prioritário para os consumidores.
A moda, sendo um dos artifícios que o consumidor tem para se expressar e se comunicar com o próximo, lidera um dos mercado que mais tem investido na criação de bens de criatividade. A moda tem como principal função hoje gerar experiências, divertir, envolver o consumidor e marcas e produtos tem surgido todos os dias com este papel.
A moda talvez seja o mercado mais importante na Economia da Felicidade!
Tênis que muda de cor conforme a luz, como o projeto da Reebok com a Uslu Airlines.
Acessórios como os da marca “Return to me” que podem ser customizado pelo próprio consumidor, apenas com um pouco de linha e criatividade.
Um jogo de memória com os looks de street style que ilustra milhares de blogs mundo a fora.
Estes são alguns exemplos de que a moda caminha para se tornar a indústria de bens de criatividade, desenvolvendo mais do que roupas, acessórios, tecidos costurados, mas artigos que servem para divertir, para estimular, para criar experiências, para expressar sentimentos.
É a moda na Economia da Felicidade! Divirtam-se

julianalaguna 0 Comentários

Modern Woman

Ontem vi um comercial da Axe sobre um desodorante que mudava a fragrância ao longo do dia… achei o produto meio estranho, mas o comercial foi bem bolado e era representado por uma mulher que se entediava facilmente com o perfil do homem e este se modificava em cada ocasião para atender as necessidades desta mulher.
Hoje, li que este comercial foi embasado por uma pesquisa feita pela CUBOCC que identificou o perfil da mulher brasileira e qual o seu comportamento frente a figura masculina.
A pesquisa foi muito boa e melhor ainda este texto que fala sobre o fim do tédio e da figura feminina em uma vida de angústias dependendo do papel masculino.
Embora muitas mulheres ainda tenham a necessidade de casar e ter filhos, e construir a vida imaginada e refletida pelas gerações anteriores, o comportamento da mulher está mudando muito. Aquele pensamento antigo de que o homem era o chefe da família, que cabia a ele o papel de responsabilidade, de trabalho, de ação em contraponto ao papel quase estático da mulher está mudando. Hoje, as mulheres estão se inspirando na imagem masculina e refletindo este papel na sua formação identitária. Por isso, surge uma geração de mulheres independentes, seguras e auto-confiantes, tendo às vezes até um ar meio agressivo ao invés do antigo comportamento recatado das mulheres de outras gerações.
A segurança é o principal fator na mudança do comportamento da mulher brasileira e isso pode mudar muito o mercado como um todo, já que alguns dados de pesquisas confirmam que cerca de 80% das decisões de consumo são das mulheres.
Outro dado levantado na pesquisa (e que foi o norteador da Axe para a criação da campanha) foi de que as mulheres exigem mais da figura masculina, exigem inovação, serem surpreendidas, sairem do comum, do tédio e isso é o principal ponto de amadurecimento do papel feminino. Se antes elas deveriam ficar casadas o resto da vida com homens que elas não se identificavam mais, hoje, elas exigem que o parceiro tenha a mesma capacidade de se reiventar, de viver múltiplos papéis e de mudança que a mulher tem.
Já estamos vivenciando esta mudança no perfil de comportamento da mulher, mas com certeza, ainda veremos isso se refletir em muita coisa, desde a lógica do mercado, até a mudança na sociedade, a mudança de comportamento masculino e, claro, a mudança na moda. Aguardem pra ver!!


via

julianalaguna 0 Comentários

The Bloggers!

Eu sei, o assunto Blogs de Moda é antigo e cansativo quando a discussão começa entrar na qualidade do conteúdo.
Mas o fato é que é indiscutível o poder de mídia e a influência que os blogs têm (por menor que seja a qualidade de seus textos ou dicas) hoje em dia, como ferramenta de RP e foco de assessoria de imprensa, os blogs detêm às vezes mais atenção do que os tradicionais veículos de moda, já que permitem uma rapidez e um retorno comercial para as marcas muito maior do que a visibilidade de aparecer em revistas de grande nome.
Do violento número de acessos dos blogs de beleza com sorteio de brindes e dicas, à influência dos blogueiros nas semanas de moda mundo à fora, até matéria na Harper’s Bazar da pequena Tavi e agora a provável matéria que será escrita na Vogue americana sobre blogueiros de moda.
O fato é que mesmo o reconhecimento do poder dessas mídias que rendeu até a temida Anna Wintour ainda não está sendo aproveitado de forma interessante pelas marcas de moda, tendo ainda quem negue sua influência como Christopher Kane que reclamou da quantidade de blogueiros nas primeiras filas das semanas de moda e que acha que os blogs vão morrer rapidamente porque ninguém que quer saber uma notícia vai procurar a opinião de um adolescente blogueiro.
Pois é, há quem ainda não entendeu o papel dos blogs nessa nova era de consumo, há ainda quem não entendeu a imensa revolução da comunicação e há quem apenas negue tudo, que isso é apenas uma fase passageira!
É, acho que tem muita gente que não está entendendo mesmo… nada!
E agora? Semanas de moda nacionais começando… será que vamos ver blogueiros sentados na primeira fila??

julianalaguna 3 Comentários

2010 e a Moda

Na imensidão de blogs e sites de moda desse mundão virtual afora, um anda se destacando bastante pela rapidez das notícias, pelo perfil dos textos, pelos assuntos abordados e pelos blogueiros que fazem parte da equipe.
É o FFW – Fashion Forward - criado por ninguém menos que o Grupo Luminosidade, responsável pelo SPFW e Fashion Rio.
Com o objetivo de ser um dos maiores portais de acervo de desfile do Brasil, o site tem chamado atenção pelo ótimo conteúdo!
E um dos tantos textos escritos foi o do Luigi Torres sobre algumas tendências para o mercado de moda em 2010!
Depois da crise econômica que abalou o mercado em 2009 e deixou algumas marcas de luxo em situação de risco, muita coisa mudou. As grandes magazines viram seus números crescer espantosamente enquanto importantes maisons fechavam as portas!
Na matéria, Luigi Torre, lembra que conceitos como sensualidade e agressividade, que transmitem a sensação de segurança, poder e controle ajudou algumas indústrias como a de lingerie e de maquiagem passarem pelo período de crise financeira com muito dinheiro no caixa.
Em 2010, alguns valores voltam a tona, (alguns deles ainda previstos pela WGSN há mais de 2 anos e por outros grandes portais de tendências recentemente), como a valorização das emoções e a humanização de tudo, principalmente da moda.
Materiais e técnicas mais naturais e artesanais trazem o “valor humano” as peças e são muito bem aceitas pelo “novo” consumidor que agora reconhece o seu poder e passa a ditar as regras do mercado.
Entendendo essa nova lógica de consumo, algumas das tendências encontradas em 2010 serão:
Preservação: Necessidade de relembrar o passado e valorizar sua história. A quantidade de brechós on line que surgiram nos últimos tempos, revelam que a tendência veio mesmo para ficar!
Aldeia Global: As fronteiras caíram, o mundo ficou menor, a valorização de outras culturas se torna inevitável.
Tradição: Reflexo da crise, esse momento é de olhar ao passado e relembrar o que passou. Editoriais apagados com imagens parecendo de fotos antigas, valorização do artesanato, a volta aos brechós, tudo isso vem a tona neste momento.
Elementos naturais: O natural, a simplicidade, o artesanal, tudo isso volta relembrando um momento de nostalgia e de revisão de valores.

julianalaguna 0 Comentários

Maria Prata e minhas impressões….

Depois do Jum Nakao, foi a vez da Maria Prata ajudar a enriquecer minha semana!
Confesso que não foi tudo o que eu esperava!
Ela começou falando um pouco da trajetória dela, do trabalho dela na Vogue o agora no Fashion TV e terminou falando um pouco sobre Crítica de Moda.
E aí vem o problema! Ela nos mostrou como funciona o texto, o que o texto deve explicar, que ele deve transportar o leitor para a situação narrada, enfim… mas o que mais me chamou a atenção foi que ela citou algumas pessoas que fazem crítica de moda no Brasil (que eu não preciso citar aqui né?!).
Pois então, vendo ela falar sobre alguns exemplos de textos, forma de linguagem e tal, reparei que não via muita diferença entre eles. Todos eram super descritivos, apenas abordavam ângulos diferentes, mas não poderiam ser considerados crítica já que não davam nenhum tipo de opinião que outra pessoa sentada na prima fila de um desfile de semanas-de-moda-nacionais-da-vida não conseguissem fazer!
Perguntei pra ela sobre a crítica negativa, se existia, afinal de contas sabemos que nem tudo são flores na moda brasileira. Ela me disse que achava sim que existia e contou umas fofocas de que alguns estilistas não aceitavam e inclusive não gostavam que as jornalistas usassem suas roupas após algum tipo de crítica sobre o desfile e ela mesma deu um exemplo de que uma vez fez uma crítica negativa e ligou para a estilista para explicar a sua opinião e a estilista nem sequer atendeu!
Meu resumo de tudo isso é que a moda brasileira me parece tão imatura ainda!
Parecem um bando de crianças bicudas ao ouvir qualquer tido de crítica e preferir não “emprestar o brinquedo” ao invés de aceitar as opiniões e tentar crescer com isso.
Me pareceu tão pouco profissional, parece que o mercado ainda é tão ligado a panelas, a amizades e relacionamentos e tão pouco preocupado com talento ou profissionalismo.
Confesso que fiquei super decepcionada e até desmotivada mesmo… Quando que a moda brasileira vai crescer?!? E crescer não significa exportar para 223322424 países ou evoluir modelagem e qualidade… não! Significa entender que a moda é mais do que roupa, é negócio, é mercado e exige profissionalismo de todos os lados!
Mas ainda me resta algumas esperanças…

julianalaguna 1 Comentário