Moda, Mercado e Educação

No dia da palestra do Moda Insights, fiquei um pouco impressionada com os relatos de alguns alunos sobre o curso de Moda. E isso virou até conversa em uma roda com Helen Rödel, o pessoal da Vulgo e o pessoal do Diretório Acadêmico de Moda da Feevale.
Estávamos conversando de como os currículos dos cursos de moda andam pobres de conteúdo mesmo, que assuntos super comuns no dia-a-dia do mercado de moda como crítica de moda, comportamento do consumidor, gestão de marca ou até mesmo a dificuldade que todo profissional enfrenta no lado comercial da marca ou de produção, com fornecedores e tudo mais é super pouco explorado na faculdade.
E fiquei super surpresa com o feedback de alguns alunos que estão a faculdade com o intuito de entrar futuramente no mercado de moda, mas não sabem absolutamente nada de gestão de marcas, de administração, marketing e business mesmo.
Isso não é uma crítica a Feevale, muito menos seus alunos, mas sim ao lado acadêmico da moda mesmo que parece estar despreparando os alunos ao invés de prepará-los.
Mas depois dessas conversas, de emails de alunos e tudo o mais… vi esta semana um post no Blog Business of Fashion (que eu adoro!) sobre o mesmo problema nas faculdades de moda de Londres. A crítica deles era de que lá a moda é super estimulada como arte e seu lado criativo é super valorizado, mas que não prepara os alunos para o mercado de moda, que é super complexo e exige muito conhecimento e preparo!
O post inclusive defendia o estímulo a criatividade que as instituições de ensino britânicas costumam dar, mas faz uma crítica justamente a como os alunos vão enfrentar o mercado e expor suas criações se saem sem preparo algum para um mercado super concorrido!
E o Blog salientou:
” that’s because, at many institutions the world over, fashion design is taught as a creative process only, and not an enterprise”.
” Designers must still respect and understand that fashion is a business, not an art, and this requires an awareness of how the industry works operationally, not just creatively.
E se repararmos quantidade de cursos de extensão e coisas do gênero que tem surgido ultimamente, observamos que falta mesmo informação, conteúdo e gente competente para ensinar e preparar os alunos de moda nas graduações e, por isso, acabam procurando outras fontes de informação, como estes cursos.
E na minha opinião a saída é muito simples, colocar profissionais do mercado para dentro da academia!
A troca de experiências dos alunos com profissionais qualificados, além de motivá-los, pode apresentar os problemas enfrentados no mercado, e de fato ensinar e preparar os alunos para a realidade de business mesmo.
Eu nunca entendi essa separação entre a academia e o mercado, não consigo entender porque os alunos irão respeitar e aprender mais com teóricos, que muitas vezes, nunca experimentaram na prática suas teorias.
As faculdade não estão preparadas para esta nova geração de alunos, que chegam na sala de aula com mais conteúdo do que os professores. Essa hierarquia precisa ser quebrada, essa separação de educação e mercado também precisa acabar!
Não estou aqui defendendo a morte do pensamento teórico, jamais! Sou uma das pessoas que mais defende a busca da moda inteligente e para isso o pensamento, a reflexão e a teoria são o caminho…
Mas defendo o link do pensamento com a prática, da teoria com o mercado, da utopia com a realidade!
E para construir um mercado de moda mais estruturado, para fomentar o pensamento de moda e a busca pela moda inteligente, para o futuro da moda faça algum sentido… é necessário começar pela raiz, pela educação, pela formação dos futuros profissionais deste mercado.
Por isso, acredito que as faculdades de moda deveriam preparar melhor seus alunos e que essa busca é mais simples do que imaginam! Esse link da academia com o mercado precisa ser feita logo e só assim teremos alunos mais preparados e futuramente profissionais mais qualificados em um mercado que não para de crescer!

#Ficaadica

julianalaguna 5 Comentários

A moda em novos formatos



O mercado da moda anda em uma revolução sem tamanhos.
Aliás, o mundo anda em revolução… uma nova era, novas tecnologias, novos estilos de vida, novos consumidores, tudo isso exige uma reformulação nos padrões existentes e, claro, a moda também entra neste processo.
Desfiles de moda e campanhas publicitárias não são suficientes mais para garantir vendas para as marcas de moda.
Estilistas estão tendo que se reiventar e o modelo de criação comercial começa a perdendo o sentido.
Enfim, a moda está com seus radares ligados em busca de novas alternativas, de inovações e de novos formatos de negócios.
E as mudanças já começaram a pipocar e prometem mesmo mudar os rumos do mercado.
Iniciativas muito interessantes, criativas e que solucionam problemas de mercado estão surgindo todos os dias.
Há alguns dias foi divulgado o lançamento de uma rede social voltada para moda, que mais do que linkar pessoas, promete um novo formato de negócio de moda, que apesar de parecer um pouco complicado é muito interessante e promissor.
O Fashion Stake será uma rede de contatos, lançada por dois estudantes de administração de Harvard em que, resumidamente, estilistas divulguam seus trabalhos e recebem investimentos dos próprios consumidores para criarem suas coleções e estes consumidores/investidores recebem sua “cota de patrocínio” revertida em vale compras no site. Incrivel, não?!
Mas esta ideia já vem de algum tempo como o projeto Catwalk Genius, criado por uma empresa privada com sede na Irlanda ainda em 2007. A lógica é parecida, porém os designers precisam conseguir investimentos de cerca de 5.000 colaboradores, que só podem contribuir com 11 dólares cada. É a chamada estratégia de crowdfunding (que tradução literal seria um financiamento pelas multidões) e o mais bacana é que após o designer conseguir o investimento de 55 mil libras (11 libras de 5 mil pessoas) ele tem 6 meses para desenvolver uma coleção de 4 a 7 peças e os lucros referentes a venda da coleção é dividido entre o designer e os consumidores/investidores.
A ideia também parece um pouco complicada e difícil de ser implementada nos trópicos, mas é um projeto bastante inovador e que traz um novo formato de negócios que linka consumidor e estilista em um processo de colaboração mútua.
Outra ideia excelente que não é ligada exclusivamente a moda, mas poderia ser (#ficaadica) e que já foi traduzida em uma versão brasileira é o modelo de tryvertising que nada mais é que um Clube de Amostra Grátis. As empresas interessadas em testar seus produtos antes de colocar no mercado, distribuem para esta loja, que forma uma espécie de clube. Os associados recebem produtos dos mais diversos estilos, de eletrônicos a roupas, completamente de graça e possibilita as empresas produtoras ter um feedback dos seus produtos antes mesmo de comercializá-los. Uma ideia ótima, que já existe na China, Japão, Espanha e EUA.
A Revista Vogue Inglesa em parceria com o Conselho de Moda Britânico também tem feito um trabalho bem bacana incentivando novos talentos com o projeto Vogue Fashion Fund que premia em dinheiro e serviços de consultoria estratégica os novos estilistas que participam do prêmio enviando seus trabalhos e planos de negócios e são selecionados através da análise do trabalho mais promissor e bem estruturado, o ganhador da primeira edição do prêmio foi o estilista inglês Erdem Moralioglu.
Enfim, ideias, projetos e inciativas criativas e inovadoras estão transformando o mercado e os modelos de negócios vigentes na moda até agora.
É um momento de transição, de novas ideias, de frescos, de ousadia…
Viva a esta nova era da moda!

julianalaguna 2 Comentários

Fashion Business

Lendo agora o post de Natália Dornellas para o Blog da Revista L’officiel Brasil, realmente comecei a ver tudo por outro ângulo.

Há dias tenho refletido e conversado com alguns amigos e clientes sobre a situação do mercado de moda brasileiro. Aqui no RS, vejo uma crise total no nosso ainda pequeno mercado de moda, as marcas e lojas só reclamam do péssimo momento e de pouco faturamento, estilistas gaúchos que se destacaram por criatividade e pela inovação somem do mercado, e não vejo um futuro muito promissor para o RS, grandes marcas vêm ao Estado e saem antes de virar notícia (vide Studio TMLS). Enfim, quando paramos para pensar na nossa realidade, tentamos achar um motivo, crise financeira?? Cultura de um Estado muito tradicionalistas?? E logo começamos pensar em termos nacionais e internacionais. Grandes estilistas que se destacaram no mercado de moda do Brasil e no exterior vendem suas marcas para grandes grupos e deixam “suas crias” por um punhado de dinheiro (um belo punhado, claro!), semanas de moda são “vendidas”.
E o que eu pensava até agora era… até quando vai durar o mercado de moda brasileiro, parece que estamos vendo tudo que foi construído até agora, se desestruturar.
Mas se antes eu via tudo com uma visão pessimista, depois deste post realmente consegui ver o lado bom da história! Isso é bussiness…. isso é mercado, é brincadeira de gente grande! Se as semanas de moda, assim como renomados estilistas estão sendo vendidos a grandes grupos financeiros, é pq eles estão vendo nisso uma grande possibilidade de lucro.
Agora consigo pensar que temos que parar de chorar e achar que ta tudo perdido e passar a entender também este mercado da moda como um mercado mesmo, que precisa dar lucro para sobreviver. E o segredo está em descobrir a fórmula para esta lucratividade.
E esta fórmula todo mundo já sabe, só precisa começar a colocar realmente em prática.
Produto bom já não basta, é preciso satisfazer o consumidor, cada vez mais exigente.
Investir para lucrar, esse é o segredo. O que podemos fazer para conquistar um consumidor, o que podemos “dar” para ele, para ganhar em troca a sua atenção. É isso que muita gente não quer, abrir mão de alguma coisa, investir em ações eficientes para garantir a fidelização do seu consumidor ou para chamar a atenção de novos consumidores. Mas isso já é outra história!
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